terça-feira, junho 19, 2012

A ESVAZIADA RIO + 20

Por Atilio Coelho O atual evento promovido pela ONU não tem o mesmo brilho da ECO92 que teve participação mais intensa de diversas organizações internacionais. Muitos governantes desistiram de vir por causa da ausência de atores principais, como o presidente norte americano Barak Obama e a primeira ministra alemã Angela Merkel, ou seja as duas principais nações ocidentais em termos de produção industrial e consumo. Obama que muitas vezes faz suas visitas de surpresa ao longínquo Afeganistão, ou seja, do outro lado do mundo, apenas para cumprimentar soldados, preferiu não destinar ao menos um dia para prestigiar o importante encontro da ONU sobre meio ambiente. O mesmo se pode dizer da governante alemã que busca a todo custo salvar a moeda europeia o Euro, ambos demonstrando o pouco caso que dão as questões ambientais. Merkel não percebe que está na contramão dos interesses da população europeia, inclusive do eleitorado alemão, pois ficou demonstrado no mais recente pleito o sentimento de desagrado da população alemã sobre a maneira como a economia tem caminhado. Diversos governos europeus caíram ou mudaram de mãos em decorrência do cansaço da população ante a ação de governos que ignoraram os reclamos populares, pois diversos foram os alertas, as passeatas contra abusos de capitalistas. Mesmo a população norte americana reclamou através do Ocupe Wall Street ante o empobrecimento dos cidadãos já acostumados ao bom padrão que sustentam a décadas. O sonho americano acabou, hoje, muitos já não possuem suas residências, restando apenas campings ou menos que isso, apenas seus automóveis para se abrigarem. Chegou a hora dos governantes lembrarem de seus cidadãos, e perceberem que chegou o momento de acabar com este estado escravagista que o sistema financeiro impõe a população e também aos estados, drenando todo o capital para alguns poucos, mas deixando terrível rastro de destruição e escravidão pelo planeta afora. E com isso, o meio ambiente é uma de suas principais vítimas, porque boa parte da degradação ambiental provém da ganância de capitalistas e da pobreza de muitos que se vendem ou se escravizam em troca de “bananas” ou de um prato de comida. Mas e no Brasil, quem é que devora as florestas da Amazônia? Quem é que adquire madeiras das florestas? Quem fomenta o tráfico de animais? Quem desaloja comunidades indígenas? São exatamente norte americanos e europeus que continuam a manter mercado para estes produtos. A consequência é a redução crescente do ambiente dos animais, que já procuram alimento nas cidades, daí a quantidade de animais que começam a aparecer nos subúrbios dos grandes centros buscando alimento. Em muitas de nossas incursões na reserva ecológica da Juréia/Itatins, que abriga grande porção da Mata Atlântica, já não vemos mais animais que cruzavam as estradas, a não ser roedores que é um forte indício de esvaziamento florestal, pois em matas em que os chamados animais superiores tem sua população reduzida, roedores passam a ocupar aqueles espaços, até porque já não há predadores que ofereçam perigo a eles. Dentro daquela reserva, já há linhas de ônibus urbano até a madrugada para atender a moradores que cada vez mais ocupam áreas que deveriam ser fechadas e preservadas. Mais ao sul, defronte a chamada Praia da Juréia, há restinga, e placas derrubadas avisando ser “Área de Preservação Permanente”. No local há loteamentos e queimadas dentro daquela área que deveria ser preservada. Outras porções da Mata Atlântica têm sido ameaçadas em diversos municípios com o avanço das plantações de banana, de gado e de condomínios de alto padrão também demonstrando que as chamadas elites não estão verdadeiramente preocupadas com a redução das matas, incentivando este tipo de atividade comercial, embora defendam de maneira hipócrita a ecologia e ações ambientais nos grandes centros. Muitos destes utilizam a mídia para induzir ao outro que deixe seu automóvel na garagem para que ele possa utilizar o seu. Hoje em cidades como São Paulo, assistimos a garças, capivaras e outros animais alojados em determinados espaços, muitas vezes se banhando ou fazendo uso em águas poluídas, como no fétido rio Tietê e seus afluentes, promovendo uma utópica inversão, já que é mais fácil ver estes animais e diversas aves nas cidades do que nas matas, graças a consciência de parte da população que não os incomoda e já não os agride como no início do século passado. Na Amazônia, a presença do governo brasileiro é simbólica. Boa parte das tropas militares se aloja nos grandes centros, quando poderiam ocupar as fronteiras. Madeireiros defendem abertamente nos noticiários a derrubada de árvores, crentes de que não sofrerão qualquer represália da Justiça. Para se ter ideia, em nossa última viagem ao norte do Mato Grosso, não encontramos floresta, nem mesmo o cerrado, apenas imensos campos de pasto. Chegaram a nos mostrar uma fazenda em que é necessário avião para chegar a sua sede, tal seu tamanho e a área devastada. O que é um absurdo. Já a Ciência não vai mais além, porque embora muitos cientistas delatam as transformações a nível planetário em decorrência das ações humanas outra parcela, chamada de cética ou de alguns climatologistas que defendem a tese de que tudo está normal, que ainda não conhecemos os diversos regimes do planeta, ou seja, o avanço dos mares é cíclico, assim como o degelo e portanto não há porque se preocupar. Alguns cientistas a discutir a validade do evento, chegaram a dizer que na Rio+20 discutirão sobre algo que ainda não conhecem, porque não há registros que comprovem que o que está acontecendo não é natural ou cíclico. Quem estará certo? Vale a pena pagar para ver? Estarão certos aqueles governantes que preferiam não perder tempo em aparecerem como bons e bem intencionados moços diante das TVs e jornais? A verdade é que o momento é de transformações generalizadas, seja a nível de consciência social, assim como as diversas transformações da natureza. Só espero que não seja tarde para os seres que aqui habitam, como flora a fauna e as futuras gerações de humanos. Espero que tenham um bom ambiente para viver, que sejam mais livres e plenos.

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